12 semanas
após abastadas tentativas em sexo procriador - cá entre todos, um atentado à natureza -, descubro muito antes de se fazer um sinal e um perigo. sim, conheci desde antes da verdade, quando apenas nidada, quando poderia escapar pela vertical das minhas coxas a qualquer descuido, jamais enternecendo ninada.
mas, ao contrário, ele me empurrou contra a parede, eu a senti sacudir num eco batizado, e ele cimentou a porta atrás de si.
nosso lar preenchido metade a metade agora não mais que apêndice. costume se fez outra voz feminina sinalizando na secretária, “venha a mim tão pequenino” -, o carro constando quente enquanto eu, embaixo e à parte, nos sustentava aquele fio de vida. transmitia pavor de alimento e fiz de uma forma primitiva, próxima a um inseto ou um réptil que poderia ser confundido com qualquer outra gênese vulgar, o receptáculo endividado da minha continuidade.
aquele cordão selado ao umbigo, antes do a-mais, bambeava como meu único meio de travessia, minha ponte a esmo.
então logo deixei o ninho confiando fanática no Medo, na companhia daquele tímido ruído bombeando operacional.
eu viria para onde fui parida, esperar as contrações me estilhaçarem a coluna enquanto meus seios pendiam úmidos e órfãos do alívio da sucção.
não a vi brotar resgatada do império de secreção.
a corda cianótica se enroscou e a cria nasceu enforcada.
dentro do colo, sabendo da sua vontade simiesca, maior que minha lei autoritária sobre me serem devolvidos os motivos, e sabendo também que mães não devem sobreviver aos seus e que instintivamente têm sua existência ditada pela deixis daquilo que as fez mães, realizei seu sonho elaborado.
e irremediavelmente unas pelo cordão enodado de inadmissível cisão, me agarrei à vida percebendo-a mole esfriecer.
então é isso - eu nos disse - que é uma guerra particular de trincheira sem vítimas.
e enfim tão miúda quanto meu desejo encarnado (a mais feliz criança da história, que jamais chorará em experiência), entrelacei-nos as gargantas - exatamente as mesmas assoladas pela obstrução e mutismo - em pacto angelical do mais genuíno amor materno.
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