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red flags

havia um hematoma vermelho-vinho na lateral do seu pescoço. não era uma marca à toa. era o discurso de ódio que você não precisou verbalizar ousou dizer que não sabia que estava ali que não sabia o quanto isso iria me ferir. não. era exatamente a sua intenção   exibir esse troféu . você partiu propositalmente ambíguo não havia compromisso -- mas eu deveria estar à sua espera eu moraria nesse espaço limítrofe  viva em você por um fio e ainda impôs sua presença,  para assegurar seu controle. e demarcar seu território . na lateral do seu pescoço havia um hematoma vermelho-vinho. eu jurei meus olhos ficarem opacos  eu jurei que o planeta cessou sua rotação  o cenário ficou mais que estéril   subitamente entendi o que você dizia "eu só pulo do barco quando tenho os dois pés em outro" em uns dias, era minha depressão  em outros, a distância física  e até mesmo a falta de sexo -- diferentes palavras para atribuir o problema a mim . vermelho-vinho, havi...

enredo antigo sob o sol

sim, amor. você, a quem assim vocativo (brega e ridícula como todas as submetidas) vai também, vai tambem- uma outra vez tal qual todas  se agarrar à média.  você, amor, vai delicadamente descarnar minha fé   reinventando as acepções pluralistas e mais exóticas  da traição  entre fiel e leal, há uma infinita bulevar e enquanto você assume o primeiro como espécie de privatização  repele da consciência  que o compromisso é órfão de promessa que os gestos trocados não pressupõem segredos e que as juras as juras- não admitem contrato mês a mês, eu me debato  vis a vis implicada em não sumir do teu afeto raso   e dou a cara- ao tapa mas também ao afago e à carícia  pra balancear  tua omissão porque, pra você, entre mentira e omissão  também há uma infinita (mas fajuta) bulevar relativizando a estória histórica  e minha ferida que esgarça pungente bramindo a arrogância do seu confor...

o estupro te ressignifica os sujeitos e predicados,

o estupro  te ressignifica os sujeitos e predicados demasiado mórbida e imperiosamente. à primeira vez - aos 15 - me fez, antes de qualquer interpretação consistente,  encarar as outras de 15 como nada mais que crianças   esticadas . eu não tinha nem peitos para serem mastigados. (mas o sangue como sempre possível  tornava cada mancha na colcha seu troféu particular) estupradores são bem diferentes dos retratos - estes que perduram arquétipos negligentes. são eles, os tais monstros - gentes também.  não aberrações de presas às vistas. e é comum até mesmo  que nós os amemos  até que compreendamos o multifatorial que configura o crime - não culpa ou dever, não um lacre rompido sem permissão ou um apalpar que surge vadio, mas como uma existência que subitamente se racha em algum ponto difuso  e você só tem ideia da espessura e profundidade,  e do quanto não alcança o chão,  até que o sangue verta generoso (a ...

todo dia é maio

isto não é uma menina . a testemunha curvada  punha fora o ácido  (um outro, bem mais bem mais humano) isto não é uma criança. nenhum preparo objetivo prevê essas lágrimas  e um ou mais policiais maculavam suas poses másculas  por entre as fardas. isto não é uma filha. a mídia de Médici expiou seu bode na boliviana chamada traficante. e os passos sozinhos de araceli  foram logo único cerne da história  já que os envolvidos eram muito perversamente acompanhados.  isto não é a minha filha. e a mutilação lancinante de um pai que vê tombada em barbárie sua prole não passou no crivo da censura institucional  para ter permissão de lamento. isto não é um corpo. então pequena, foi descoberta ainda mais pequena nas sobras dissolvidas sadicamente às pressas  arremessadas ao léu de ...