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Mostrando postagens com o rótulo quarentena

smother

você volta  demasiado imperativa  em seu manto oblíquo de miséria  como a capa  de uma velha rainha você desperta dentro da minha insônia diária  e se deita larga sobre meu peito  respira denso o meu próprio resfolegar e concreta meu tórax contra o colchão você retorna  com sua fronte sem traços  mas de onde ainda se capta certa presunção por finalmente poder se esticar  em sua torturante envergadura  e, veja - mesmo sendo mais alta que a média  esse meu humilde corpo não te comporta  então, travestida de natureza, perpassa as pupilas para recobrir em grossas camadas  as luzes que restam apenas por acidente  - e tão veloz quanto a luz  e quanto sua respectiva ausência - desata criando perigo nos tons neutros e nos rostos amigos nas vias públicas, nos afazeres básicos  e nos signos mais banais  se torna tão parte das essências,  inerente e filha de tudo -...

antônimo de tal

"felicidade" em uníssono. eu digo “vitalidade” há 3 ou 4 meses levantava com vontade.  abraçava quente minha mãe, bom dia . sentava à mesa tagarela, me arrumava sem pensar em mais que aquele agora exigia. saía em passos rápidos, ágeis, figurando o vívido de uma criatura. pegava o coletivo sem me perturbar com grandes questionamentos. assistia às aulas cheia de anotações, interagia com facilidade e gosto - as trocas eram fluidas . entrevia a denúncia de pôr-do-sol pelas janelas de algum bloco daquela federal, que pela primeira vez me parecia apenas mistura dos blocos velhos e muita cor de gentes, ao invés de um bosque de guerra interna que me instigava taquicardia e enjôo assim que atravessava um limiar. as coisas ao redor eram apenas elas mesmas, sem qualquer teor adicional de perigo ou mágoa iminente . eu mal recordava aquela outra , bicho em eterno modo de defesa, cheio de raiva e por baixo da raiva o medo e por baixo do medo o vazio melancólico inextirpável. eu mal lembra...

apologize girl

comprimida à forma-vária nas palmas cabe uma personalidade bem-feita? patchwork . eu-remendos a agulha e as linhas tão parceiras da cicatrização.  lei de máscaras de tecido sobre minhas fantasias de carne; o tal inimigo microscópico que lota UTIs  em conluio  com minha inimiga incógnita lotando celas pescoço tão delgado e frágil  de estética perfeita para - apenas um estalo e romper num instante com os conectores vertebrados - as teias de neuranhas  se você confessa que o impossível se fez pródigo uma vez mais eles ajustam as engrenagens químicas   e o seu implorar honesto por contato  te desperta atada a uma maca dura eles desertificam as patas sépticas ao longo do seu dorso exposto  cospem que as ruas não te admitem e que seu ninho é apenas  na estranheza  entre os seus - nenhures roguei pagã como uma maldita - como uma nódoa civil e aprendi a mentir com os profissionais; tomei banhos cronometrados...