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ei, pai,

ei, pai, ontem ouvi dizer que a primeira palavra que todas as crianças aprendem  é seu nome. hoje é aquele dia. curiosamente, esse dia caiu em vários daqueles . minha mãe tem em cheque sua sobrevivência hoje seria aniversário da minha avó e eu devo sangrar em breve. "eu devo sangrar em breve", como se isso não fosse constância ininterrupta derivada da seiva com a qual você, descuidado, me moldou como se eu não abrisse  o-a-priori hermético da pele implorando jorro e trigo cumprindo o profano neuroquímico fazendo jus, apregoada, ao nome que você me daria,  - pensou por dois minutos, e acabou por deixar pra lá. pessoas deixam compromissos pra lá quando eles são irrelevantes. então eu sou sua paisagem plana,  natureza natimorta, pendurada na dispensa. você nunca planejou passar os dedos, eu sou rasa careço de fontes dunas e apud um retrato perdido na galeria um espelho sem imagem real e tudo bem, porque você tem a ela desse nome com dois eles uma cópia de qualidade, nít...

LEITE

  da sua seiva seca, eu — enfim coágulo. um ponto tosco à risca que se ramifica. uma forma mundana ordinária, à toa, como o que cresce destinado. nada pior que vir à tona da causalidade que te trona. “eu aconteci”, tive de parecer dizer,  antes de quaisquer conexões nervosas,  como quem se desculpa pelo mau jeito,  pelo imprevisto,  pela ofensa. ultraje aos teus genes. fui bem isso. “então, que se resolva” — saiu de você.  não sei teu timbre mas sei teu verbo.  da conjunção carnal cuja raiz milenar é desejo —  o que derivou foi repulsa. afinal não há nada  que você um dia tenha desejado menos  do que eu um acidente numa encruzilhada de sentido único. sou seu excerto malfeito,  sua cópia vagabunda,  sua extensão barata.  um adendo.  eu vim de você tanto quanto você se foi por isso animais protegem suas ascendências.  mas você cumpre a contramão —  eliminando meus rastros de rastejo.  munido de indiferenç...

INTERRUPTA (08/2018)

e  se livrar de mim como se eu fosse um punhado dos teus piores agrupamentos celulares começo assim pra entender que desd’o jorrar, de fato, – conjunção aditiva – a relação é de um texto que continua e continua sem início correndo atrás de sua gênese de onde veio esse conectivo? não há nada aqui. pare de adivinhar os confins do corpo eu desapareci em algum lugar entre as conjecturas – e as conjunções condicionais teria você hesitado? pensou duas vezes? quer dizer, só duas vezes? não dez ou cem antes de me esfacelar pra fora de si? e longe decidir que eu não teria mesmo te deixado ir tão longe ou mesmo ido eu mesma quantos sinônimos existem para “expulsar”? eu ainda posso imaginar (e é isso que me deixa doente) você tomando o maldito chá com sua família-de-verdade decidindo que eu não cabia aí nem aos fins de semana ou nas férias (que você garante que nunca tem) eu tinha seus olhos você não tem como saber – nem eu depois de sugada até esse não-lugar híbrido de querer e crime tudo pa...