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Mostrando postagens com o rótulo psicologia

apologize girl

comprimida à forma-vária nas palmas cabe uma personalidade bem-feita? patchwork . eu-remendos a agulha e as linhas tão parceiras da cicatrização.  lei de máscaras de tecido sobre minhas fantasias de carne; o tal inimigo microscópico que lota UTIs  em conluio  com minha inimiga incógnita lotando celas pescoço tão delgado e frágil  de estética perfeita para - apenas um estalo e romper num instante com os conectores vertebrados - as teias de neuranhas  se você confessa que o impossível se fez pródigo uma vez mais eles ajustam as engrenagens químicas   e o seu implorar honesto por contato  te desperta atada a uma maca dura eles desertificam as patas sépticas ao longo do seu dorso exposto  cospem que as ruas não te admitem e que seu ninho é apenas  na estranheza  entre os seus - nenhures roguei pagã como uma maldita - como uma nódoa civil e aprendi a mentir com os profissionais; tomei banhos cronometrados...

nau dos insensatos

"- Louca" outra vez muito bem repito para não ter certeza  aceito epíteto. tal qual última refeição de um condenado - sob uma almofada ao chão simulando pobre conforto comprei mais um maço  e fumo com ódio. tudo o que eu faço e o mais que eu seja é com ódio. de que flores você comenta? dias ruins e piores, mas isso? isso eu? desejo findar os desejos outra vez. destilo à caneta azul a saúde custa mais que a doença, e ele? eu quero proteger da minha corruptela genética  tenho de rosa pintadas as unhas, quanta ironia. meus gatos talvez viciados em nicotina. e a suspensão das reticências - nunca sei mais que não sei nada nada absolutamente nada mais aceita um alprazolam?  na dose de seringa? o primeiro morreu e o segundo já se foi. virão outros, mas e eu? lembrei à mãe que ela ainda não havia morrido, e por que? mais para n...

em seis anos atrás

2013. em 6 anos atrás uma menina ainda é uma menina. o cabelo comprido ainda escorria intocado pelo corpo ágil de pluma.  nenhum sinal de parasita ou pílulas. esse corpo não farejava seus predadores e festejava perigosamente sua imácula.  esse corpo era o Qualquer  nem receptáculo nem química ateia a saliva era solúvel,  olhos condiziam com membros que não espasmavam  num reflexo ridículo de fuga, a respiração não sofria abortos no percurso. os dias eram ordinários  nunca antes houve preocupação sobre o que era uma mulher  mas devia ser uma mulher ou coisa e tal um arremedo ou quase tropeça entre terminais jurando desbravar a cidade e ganhar espaço, muito longe de casa ainda sem saber sobre as casas que não são lares e sobre matadouros que comportam o sono de seus carrascos como todos os piores esse massacre em específic...

anatomia de um ataque de pânico

Trancada. A chave por dentro. Do outro lado da porta eu escuto cada fonema que me prova minha derrota. Fragmas dos vídeos que há pouco mais de meia hora exibiam outra de mim às gargalhadas e piadas estúpidas. No intuito de mascarar. De mentir o que já brotara desde cedo.  Há alguém encostado na porta, uma voz que deveria acalentar, mas eu não sei. Não sei mais sobre amigos conhecidos estranhos ameaças. A música chega até aqui e eu odeio. Odeio não poder esticar as pernas. Odeio não inspirar o suficiente, o ar ricocheteando vago. Quero ir embora, desabar em casa, mas não consigo passar pelas pessoas na sala, conversando, rindo, comemorando. Tampo os ouvidos com mais força do que deveria mas os sons ainda perfuram.  Isso já me aconteceu? Acho que nunca aconteceu. Ou talvez não assim. Ou talvez todas as vezes que se manifesta seja tão diferente e colossal que pareça único ...

Eu vou ficar bem

Você demonstra se preocupar comigo e insiste que preciso conhecer novas pessoas. Antes mesmo de te ouvir terminar a frase, meu coração dispara encurralado e prevejo alguma intenção sórdida por trás dessa suposta preocupação. Você me acha dependente emocional e não quer que eu construa esse tipo de elo contigo; você forja se importar com minha inabilidade social para enfim poder se livrar da minha companhia pesada e meus assuntos melancólicos. Outra vez eu sou esse pólo negativo que repele as pessoas, um fardo imenso até para aqueles que juraram não se assustar - como você, no início. As pessoas costumam me garantir que é um problema a ser lidado e que não sairão correndo quando minha voz sumir e meus olhos tentarem mergulhar no globo. E então elas me descobrem e passam a dar desculpas e se esquivar ate mesmo das minhas investidas nos dias mais tranquilos. A verdade é que p...

lávica

falo. por mim. por ela. que nem conheço. pois não preciso. porque eu sei. falo. pela outra. e mais uma. por todas. nosso exército de endométrios  que, como auto imune, sangra a si mesmo. odiamos e repelimos, e repetimos: odiamos nossos corpos  odiamos  nossos seios caídos e profanos não europeus  de aréolas imensas - pérolas castanhas pendentes odiamos  nossas barrigas  que protuberam com a idade  e formam camadas ao sentar  odiamos  nossas curvas acentuadas nossas gorduras essas fudidas gorduras centralizadas estranguladas sob cintas e disfarces tão distantes dos comerciais de abdômens lisinhos odiamos nossos grandes lábios escuros em nada semelhantes às vaginas puras dos pornôs  odiamos essas costas   de mais dobras que um livro de versos odiamos nossos sinais de mulher madura nossa baixa de colágeno os fios ...

corpo de prova

é um mau hábito julgar pelos pronomes; mas renuncio a iniciar poemas na primeira do singular. não venho primeiro. apenas sou só. outro desses falidos banhos me pegou, e eu usei os olhos em mim. e deu uma vontade de rir lacrimosa, mas rir do que foi que você fez. deixei, claro. permiti passagem estadia aluguel morada habitat zona de conforto desmatei e fundei pólis contive os pólos pra te afirmar. àquela noite eu usava um vestido fino longo e verde escuro distoante da maioria em seus trajes de calor incessante te espiei por entre as árvores e nunca me atingiu o pensamento  de que qualquer contato ali se transformaria  no que eu fito hoje com ou sem desprezo, não importa, não cabe valor eu nunca imaginei que tu se estenderia como uma rede de luz mais veloz que o tempo subordinando meu campo de defesa e ataque me alvejando e almejando (ambas coisa só) e sei lá o que eu mesma fiz de mim. ...

meu sincero,

desinteresse sobre procedimentos básicos dessa espécie, me esqueço os pormenores. esse corpo quer ser entidade à parte, sem me atender e se por mim nada faz menos ainda farei por ele - cada qual no seu canto. que só por acaso é o mesmo. não ia te fazer feliz você não se sentiria completa  te acarretaria mais culpa, e um arrependimento monstruoso - disse quem não sou eu  quando cogito soluções  os soluços em uníssono me apontam ah, se ainda fosse possível prevenir com um ou dois comprimidos que remediar... se minha mãe não tivesse tanto me amado desde início,  delirando a lindeza simbiótica que acomete toda mãe  se antes mesmo de eu me aglomerar ela já não me tivesse construído inteira de sonhos ruídos, se não isso ou aquilo, ela poderia me poupar - e eu nunca em vida conheceria a dor  como uma praga, me nidei ao ...

carnaval

nossa última viagem em nada comunicou-se com a primeira. numa barraca minúscula  você a anos-luz de mim. eu sabia que muito você escondia e tu não suportavas o quanto eu expunha. escolheu então as estrelas acompanhadas de umas cervejas, eu fiquei a sós onde seria nosso encontro, nosso encanto,  contando minhas estrias. até rolei para dentro os olhos - e como era outro meu corpo enquanto nós... não podia nem sequer me dizer eu. quando você se deixou cair sobre o colchão, pelo sono, e não por mim, me virou as costas acostumado. mas eu, igualmente acostumada, contei dedo a dedo os teus sinais e as gêmeas estrias nas tuas costas cheirei tua pele pura noite adentro e soube, mas neguei, que não existiríamos mais. mas neguei. eu neguei até o fim, ralhei comigo mesma, imperativa me ordenei tentar e aos rodeios quis mesmo coagir dizer sou eu, sou eu, aquela por quem você s...

genesis

quando isso começou? e isso é pergunta que se faça? mas você ousa, eu gosto disso. olha bem que eu não sei. também não foi disso de acordar, olhar em volta e terem sumido as cores. o povo pensa que eu vejo em tom cinzento, ou até preto e branco, uma suposição antitética, dicotomizando a mim. mas não, eu vejo as cores, opacas, claro. uns vermelhos mais vibrantes, aquela cor de sangue fresco do miolo do corpo, uns pretos mais foscos como o preto mais preto do mundo. eu tenho visto umas cores, só não faço parte delas. mas retomando, quando isso começou. não existe uma fronteira rígida que me denuncie, hoje eu só me arquiteto na desistência, acho que foi se chegando como uma gangrena - bem discreta tomando tudo pelo subterrâneo, até que eclode e você perde um bocado de si. o que eu perdi de mim? se eu disser que não foi tudo estaria mentindo, e eu só minto à noit...

as palavras não têm sido fáceis

as palavras não têm sido fáceis.  tenho caçado, em vão, armada até as memórias  mas sempre torno à casa de patas pendendo. espalmadas e atadas as palavras roeram meus verbetes me perguntam o que há eu só choro, balbucio  quando muito, murmúrio teu batismo mas nada há além das patas espalmadas, atadas tensas. eu não sei quando ou como ou quanto aconteceu, da última vez que me dei conta estávamos cá, eu tu e nossas crias de planos nossas veias quase geminadas tão correntes e coesos viviam nossos corpos  pouco lembro da alma é verdade, eu esqueci da alma, e dela só coube a noite escura. cavalguei a ti vezes demais escondendo os olhos,  renegávamos abraçar os dedos e atuamos como se fosse  pura displicência no caminho desrespeito à ordem natural da morte, nossas carcaças repeliam-se. emudeci o corpo porque ain...

verdades realmente pequenas que gostaria de ter sabido antes.

eu te amo. e isso não é nada. isso não basta. não significa merda nenhuma. e não é porquê você é um sujeito escroto. que não merece. que me destruiu os modos. é porquê é o que é mesmo. um telefonema que nunca se recebe. esbarroes horríveis e hangover.  meu maldito choro inaudível. inadiável. essa ausência em coro no corpo. saudade. é preciso matar a ideia do amor romântico. o amor que tudo pode tudo suporta o amor que supera e altera paradigmas o amor super ego o amor eterno o amor etéreo  não pode não. é mais comum duas pessoas se amarem ao absurdo e nunca ficarem juntas. porque o amor não é essa coisa criada pela mágica que faz dar certo. não faz nao. não faz nada. ele ama, eu amo, sei que você também. é tudo isso que vira zero. amar alguém não destitui vocês dos problemas que exist...

arquitetura

quarto comum, classe media. cama box solteiro. escrivaninha de vidro.  armário embutido. criado mudo. mudo. mas não vejo nada disso. apartamento, um corredor estreito adulta ainda odeio enfrentá-lo na penumbra caço formas, o grito já a postos  insisto que ouvi meu nome n'alguma fresta por onde o ar sopra escadas eu posso escoar por elas subindo e descendo posso sentar e chorar salgando os degraus as grades do portão - nada pelo que avançar rua adiante as esquinas não são meras esquinas  eu as olho  e vejo pessoas que nunca mais olhei. que nunca mais enrolaram os dedos na grade do portão esperando que eu o abrisse, sorridente, saltando os degraus  nunca mais os subiram comigo adiantando conversas de assunto-nenhum ansiando pelo quarto comum a cama box solteiro que eu arrumei (eu sempre arquitetando como abraçar meu mundo com as pernas) pra caberem dois alguéns  c...

circular

abril, 2019 - e é só mais uma dessas datas que eu tento contornar a morte. 5mg de alprazolam pra ir à aula não conseguia reconhecer alguns rostos ou articular frases coerentes dormi a maior parte da exposição ouvia sobre hjelmslev plano de conteúdo e de expressão mas acho que isso de expressão hoje é mais sobre  olheiras horrendas. insônia, choro, vômito matinal. óculos escuros. tala de tendinite mas não era tendinite. uma amiga me sentiu artigo frágil e trançou com os dedos macios o cabelo que não sou capaz de pentear há uns dias minha cabeça formigava de saudade desses toques de zelo de manhã você me deixou entender que não gosta de mim há um tanto.  vago.  na verdade nem mesmo disse me sobra interpretar tuas dúvidas e esquivas eu sou obrigada a saber o que fazer com elas você nunca toma decisões, é uma jogada muito inteligente ...