Postagens

Mostrando postagens com o rótulo contemporâneo

horror vacui

o estupro tomou meu corpo e hoje sou uma inquilina um parasita frágil me mantendo viva através das sensações neblinadas  e da supressão de memórias o estupro se apropriou da massa deformada (e não há nada mais nojento do que um corpo que se escorre) da pele que se estende com repulsa (e a ela abro porque não há mais o que possa ser aberto) e a erogeneidade encerrada em caixões de chumbo  resvala mais funda que qualquer vítima de radiação  é de uma dormência ardida em que — mesmo ao encontro da gentileza de uma língua  contraio seca. expulso espasmada como subserviente à ferida antiga que a fisiologia garante cicatrizada. tardei entrar em contato até que  as convulsões de uma febre anômica   se embrenhassem em cada ponto ensimesmado ramificando em capilares  toda a recordação encarnada  à prova de verbo e recusa tardei. agora o crime é o que preenche ao tomar matéria e novas habilidades  fazendo meu corpo ...

[e jamais perguntaremos nada sobre o desejo]

às manhãs  mais urgentes que o pão — poderiam ser confeitos e engulo como se confeitos fossem — rompem o jejum esses micro ruídos de ranhura. e então depois do café  uma outra série de cores e design. religiosamente às quartas, também às manhãs, menos cedo, encontramo-nos através dessa mesa  numa rotina inscrita há mais de mil dias  em que ainda não nos conhecemos ele quer saber do meu corpo como substrato fisiopatológico.  se durmo a noite inteira, como tenho me alimentado e os 30min diários de exercício físico, gabriela, 2L de água por dia e as alergias? ele é o homem dos ajustes, desloca as engrenagens mais anteriores sem qualquer toque às quintas  imediatamente depois que se iniciam  espero que logo não mais sejam as quintas e às sextas me arrependo de ter querido isso  quando eu compareço e ela me vem com como você está hoje nos dias que me restam visito mais doutores pra acertar minhas ent...

unas

não é caso de estreitar os olhos, não é sua miopia, não é mais da desatenção. no princípio não foi, genuinamente, sua escolha minha espinha ainda não é nem mesmo frágil. eu ainda não sou o suficiente pra ser frágil   um pouco mais que um neoplasma, uma ideia romântica feita de células frenéticas, de irracionais núcleos maníacos enquanto você deprimia. uma orgia de clivagens a que chamam milagre, de maneira que fui razão eras antes de conhecer o que era razão.   ainda quando eu podia explodir sem pré-aviso e sem estímulo justificável, quando eu podia apenas romper as frágeis membranas criadas pra proteger seu dever de multiplicação.   é sedutor causar o sangue e mesmo hoje eu sou fiel a isso.  suas mágoas em acústico eram tão mais que mágoas suas e eu só soube me expandir através da sua revolta e pavor herméticos. isso porque alguém uma vez te disse que punhais exigem polidez e discrição  e como é costume dos inícios — primeiro houve o ódio esmaecid...

maniac pixie girl

tem sido divertido? enquanto enceno o estereótipo bonitinho é uma graça mesmo a aparição moderada. como um filhote de um predador que, ainda frágil, permite manuseio eu ainda macia e maleável... te interesso.  (isso você quer pegar isso você quer comer isso você pode digerir) e você se sente muito bom por isso, certo? muito importante e indispensável - é combustível de ego simular esse papel de cuidador até que a piada se engasga na garganta . e a performance é grave -  as fronteiras contendoras e higienistas se dissolvem em ácido  e embora eu tenha avisado (porque tem de haver uma prévia advertência sobre aproximações) você age como se tivesse sido enganado. e passa a me fitar desbotado exatamente como se encara aquilo que perde o querer   mas ainda é curioso...  um animalzinho exótico  e contanto que haja certa distância você pode atiçar com objetos cortantes e brincar de ter razão  treinar sua lábia lagar ao léu ...