ela é mais magra. mas imponente, independente. não se deixa contagiar pela estupidez da tempestade e do ímpeto.
o lattes é reflexo.
tem os traços finos - delicada.
parece tão confortável olhá-la, tudo no lugar: as curvas delgadas, ela sabe o que fazer com o corpo que é
sobrevive a ele e ainda o faz
terrivelmente desejável
o sorriso alinhado dentro das expectativas
planos nos convexos dos olhos
o cabelo obediente:
tudo o que eu penso agora é sobre como você deve achar bonito essas mechas comportadas e compridas
pra você brincar com as pontinhas
distrair-se com a graça delas
não as minhas fraquezas dessa vez.
tenho ciúme sim dos seu fluidos sendo íntegros com os dela
e ela é tão linda
isso dói não sei porquê
vocês são tão lindos
as tuas noites são de descanso, a saudade logo degolada, é lindo te conhecer das primeiras vezes
isso dos cotovelos se aproximando sobre a mesa até um beijo lentamente consumado
e eu deixando de haver...
tu expondo todas as teorias de divulgação científica que conhece e que tanto me encantavam e que agora certamente também conquistarão essa moça (que tem mais a acrescentar do que minha admiração embasbacada)
te ouve falar e acompanha devagarinho o movimento dos teus lábios roxo-palidos
com a minha mesma surpresa
e meu Deus como eu te amava e como isso
não mudou...
vocês tiram as roupas e em nenhum momento te vem à memória como eu te despia com as mãos patéticas
porque você sente muito tesão
por esse outro alguém
e ela também, é recíproco, vocês já têm uma conexão
você a contempla
e a quer...
há tanto nenhum prazer te movia,
há tanto você não visitava um corpo assim
e gozava assim, dentro mesmo
da alma que você não acredita
deixando um rastro de si em outra pessoa querendo ficar, realmente
querendo conhecer
não havia mais nada em mim a ser descoberto,
odiava minha fumaça, minha opacidade, meu berro
já ela, tão calma
tão fácil.
tão saudável
tão cabível no que tu sempre quis
você acha que perdeu todo esse tempo todas essas noites todas essas discussões vãs
quando podia apenas topar com ela
e eu sinto inveja admito eu sinto inveja
olha essa mulher (e você olha)
e pensa
que pena não ter sido você antes
mas agora é
eu vou ruminando ser eliminada com esforço, expelida, superada
eu fui o que te tornou mau
você quer viver, te tirei isso
você quer dizer, te impedi no escândalo
acordar ao lado dela sem meus remorsos que
sabotavam a paz das tuas semanas
é com ela que teus amigos simpatizam
é ela que conhece teus sons progressivos
é ela que te faz cogitar uma união sólida
teus sábados descansando são agora puros sábados descansando.
como um dia você pode me sentir? me admitir? se submeter? me acontecer?
se poupe de mim. ame-a. seja com.
mas eu amo que você tenha se enganado,
só assim eu passeei de soslaio aí...
whore
é bem verdade que só o teu rosto o teu rosto sangra a minha lágrima que flameja um transplante. assim deitados com as testas encostadas na presença da minha melancolia familiar mereceria a cena uma pintura medieval sobre o demônio do meio-dia que não pressiona o peito, pois mais abaixo em ti quem o faz sou só eu . tuas algumas palavras que me soam perigos também guardam essa firme dureza na voz para afugentar a bizarra fauna que desponta amontoada dos lares do meu desassogego e que esbraveja para te tocar. prova disso é quando me movo sutilmente e há orgásmicas fincadas nas costas onde tuas mordidas fizeram auréolas e meu grito contrariado suicida-se porque decepciona a própria natureza da dor. assim deitados com as testas encostadas eu percebo que tuas pálpebras dispersam uma fragrância do que é recém-nascido puro virgem os teus cílios são asas de ágeis gaivotas que indicam terra. as minhas lágrimas encontram foz nas tuas maçãs que enrubescem à menor variação d...