cavalos impressos
enquanto marchava em direção à forca donde em breve meus pés pêndulos frouxos no ar e meu corpo como um saco que se esvazia num estalo seco percebi a mesquinharia das minhas antigas angústias em que me doía por simplesmente doer sem objeto específico justificável eu sempre achei que as carências já presentes eram o bastante que não haveria de existir gravidade maior invejei aqueles que nascem em berços que ganham a vida previamente de graça me cobri de inteiro preto em cidade litorânea juntei na mochila todas as químicas possíveis e pretendia pendurar as pernas no décimo sétimo andar enquanto o torpor me possuía como um demônio calado me arrependi de não ter deixado o desespero pra agora me toco de toda dor que não valeu seu sentido de todos os anos na cama pensando já ter alcançado o chão agora o chão evapora e eu não termino de cair ontem eu vim pra casa na traseira de uma bicicleta azul com um poeta de moletom ele me olhava fixo se alguém sentiu vergonha ou virou o rosto fui eu...