ridículo
ridículo é sobre ti escrever ainda de pé e desnudada diante de, transbordante os arrepios na espinha, ré da tua confissão sobre um afeto embotado . e, quanto a isso, não te abordarei. jogo sobre os ombros meu manto de espinhos para te absolver de qualquer gérmen de ideia de dever para comigo. ridícula é tal euforia elétrica que me percorre e eriça os pelos mais ocultos quando tua imagem estática, estéril, me aguarda frente ao portão. esqueço. o automático da respiração esqueço. como se modulam os músculos das pernas para caminhar – e só conheço como usá-las emaranhadas ao redor da tua cintura. ridícula é minha alegria, doença autoimune, quanto ao teu fugaz e volátil e de soslaio olhar quando em ti estou montada (e desvendando, honrada, o mover meu que mais te apraz) rezando para que não tão veloz ele se dissipe e que algo dessa vista te agrade e, mais ridícula, convenço a mim, murmúrio ao pé da minha orelha, de que são provas suficientes micr...